SEXTA-FEIRA, 9 DE JUNHO DE 2023 ÀS 09:17:47
Homem morto em Birigui levou tiro no rosto

Cristiano Moreira, 47 anos, que morreu baleado na tarde desta quinta-feira (8) em Birigui (SP) por resistir à prisão durante tentativa de abordagem por equipe da Polícia Militar, foi ferido no rosto e no abdome, por tiros de pistola e fuzil.

 

Hojemais Araçatuba apurou que equipe da Força Tática foi à casa dele para cumprimento a mandado de prisão temporária relativo à investigação por participação dele em um roubo a uma sorveteria.

 

O crime aconteceu no início da noite de 14 de maio, na avenida das Rosas, no bairro Cidade Jardim. Na ocasião, a funcionária relatou que estava sozinha no caixa quando um desconhecido entrou no prédio de boné e capuz e anunciou o assalto afirmando estar armado.

 

Porém, a vítima disse que ele não apresentou tal arma e mandou entregar o dinheiro e o celular. A jovem relatou que tentou reagir segurando o celular com força e avisou que havia câmeras no prédio. Mesmo assim, o autor pegou o celular dela e fugiu com um comparsa que o aguardava de bicicleta.

 

Com base nas imagens das câmeras de monitoramento Moreira foi identificado como participante do assalto e a pedido da polícia, a Justiça expediu o mandado de prisão. Ele também teria sido reconhecido pela vítima por meio de fotografias.

 

 

Resistiu

 

Os policiais que foram cumprir o mandado de prisão relataram que Moreira foi localizado em um corredor nos fundos do imóvel. Ele estaria armado com uma pistola calibre 380 e teria feito um disparo de curta distância contra os policiais militares.

 

Diante disso, um dos policiais reagiu com dois disparos de pistola .40 e o outro atirou com um fuzil. Atingido, o procurado da Justiça soltou a arma que segurava e caiu. Após isolamento da área ele foi socorrido por equipe de resgate ao pronto-socorro municipal, onde teve o óbito constatado em razão dos ferimentos.

 

Ainda de acordo com os policiais, havia uma mulher no interior da residência, muito agitada e aparentemente sob efeito de drogas. Questionada, ela teria dito que não mora no local e negou qualquer relacionamento com Moreira. Alegou ainda não ter visto a ação policial, tendo apenas ouvido o barulho de dois ou três disparos de arma de fogo. 

 

 

Investigação

 

O delegado Eduardo Lima de Paulo foi ao local acompanhado de equipe de investigação após a Polícia Civil ter sido comunicada. Ele descreveu o imóvel como de situação ruim de manutenção, fechado com um portão de grades. De acordo com ele, havia alguns cobertores que impediam a visão do interior do quintal, composto por um quarto, uma sala e uma cozinha.

 

O suposto confronto teria ocorrido em uma pequena área nos fundos, onde havia manchas de sangue e próximas delas, a pistola calibre 380, ainda municiada com 14 munições intactas e com um estojo deflagrado do mesmo calibre. 

 

Mais distante estavam os dois estojos de munição .40 e o estojo de munição 556, do fuzil. Os policiais militares informaram que durante o socorro a Moreira, eles teriam sido movimentados com a passagem da maca. A pistola apreendida que seria do procurado da Justiça tem a numeração raspada e foi recolhida para perícia, junto com as armas utilizadas pelos policiais envolvidos na ocorrência.

 

 

Não viu

 

Segundo o delegado, a mulher que estava na residência onde ocorreram os fatos estava aparentemente sob efeito de drogas e muito agitada. Entrevistada no local, ela confirmou não ter visto nada, tendo apenas ouvido alguns disparos de arma de fogo do lado de fora da casa.

 

Um dos investigadores esteve no pronto-socorro e verificou que o corpo de Moreira apresentava marcas de tiros no lado esquerdo do rosto e no lado direito do abdome.

 

 

Legítima defesa

 

Após comparecer ao plantão policial os policiais militares envolvidos foram liberados para serem ouvidos posteriormente, no decorrer do inquérito policial que tramitará no 1º Distrito Policial de Birigui. O delegado levou em consideração que Moreira seria pessoa de alta periculosidade e estava de posse da arma de fogo que teria utilizado no roubo à sorveteria.

 

O caso foi inicialmente registrado como homicídio decorrente de oposição à intervenção policial, com elementos suficientes para concluir que os policiais militares agiram em legítima defesa.

 

O corpo de Moreira foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) para exame necroscópico. Segundo a funerária São Judas Tadeu, o velório está previsto para começar às 6h de sexta-feira (9), com o enterro marcado para as 14h, no cemitério da Consolação.


Fonte: Hojemais