
Uma grande movimentação de pais de alunos se formou na frente da Escola Estadual Thomazia Montoro, na Vila Sônia, onde ocorreu um ataque na manhã desta segunda-feira (27), após os responsáveis ficarem sabendo do ocorrido.
Desesperados, eles se deslocaram até a instituição na tentativa de retirar os filhos que ainda estavam em horário de aula e foram contidos por Policiais Militares.
Após a direção autorizar retirada dos estudantes aos poucos, era possível ver algumas crianças, já acompanhadas dos responsáveis, saindo desnorteadas e outras chorando.
Maria Das Graças é mãe de um aluno que estuda na sala do jovem responsável pelo ataque contra quatro professoras e um aluno.
Ela chegou aos prantos para buscar o filho. À reportagem da TV Globo, ela contou que a escola têm brigas frequentemente.
"Na sala dele, na semana passada, teve uma briga por racismo, um pulou em cima do outro. É muita briga nesse colégio. Falei que ter uma polícia lá e falavam que não podia fazer nada, tem que ser o Estado", contou a Maria Das Graças.
Mãe de aluno da escola Thomazia Montoro na Vila Sônia, em São Paulo, SP. — Foto: Cristina Mayumi - TV Globo
'Eu corri e me escondi'
Gabriel, de 13 anos, diz estudar na mesma sala do autor das agressões. Ele conta que há alguns dias, o jovem xingou outro aluno de macaco, o que ocasionou uma briga. Segundo o estudante, a professora que foi atacada pelo aluno foi a responsável por ter apartado a briga e após isso aluno jurou vingança.
Ainda de acordo com o relato do adolescente, o outro aluno da briga não estava na escola nesta segunda-feira, somente a professora que foi atacada com golpes de faca.
"Foi assim: chamou o menino de preto e macaco. O outro menino (vítima de racismo) não gostou e partiu para cima dele. A professora "Beth" separou. Aí hoje esse menino que chamou o outro de macaco veio com com uma faca e esfaqueou várias vezes aqui e aqui (disse ele tocando na cabeça). Ele já falou que iria fazer isso, mas ninguém acreditava. Ele estava atrás de mim tentando me matar. Na hora, eu corri e me escondi ali atrás e fiquei cerca de uns 40 ou 60 minutos esperando a polícia chegar", contou Gabriel, aluno que estuda na mesma sala do autor adolescente, autor das agressões.
Ainda segundo Gabriel, o adolescente entrou na sala nesta manhã, enquanto os estudantes estavam na sala de aula.
"Ele entrou com uma máscara preta com caveira, já chegou por trás esfaqueando a professora e nem deu para ela se defender", relatou.
Mãe de Aluna da Escola Estadual Thomazia Montoro — Foto: Artur Stabile
A doméstica, Maria José Fernandes é mãe de um outra aluna que estuda na instituição e disse que a filha contou que o ataque nesta manhã aconteceu em razão de uma confusão anterior, em que a professora "Beth", teria apartado os alunos, impedindo que o autor agredisse a um outro aluno.
"O menino (autor do ataque) ameaçou um outro aluno que chama Daniel e a professora Beth, que é uma das melhores da escola, não deixou. Então, o adolescente atacou a professora. A minha filha, aluna do sexto ano, disse que o menino já planejava vir para matar o adolescente. Não sei o motivo das brigas. Minha filha ainda está muito nervosa e só me contou esses detalhes. A escola é uma escola de período integral e não tem estrutura para isso", relatou a doméstica, Maria José Fernandes.
O ataque
Quatro professoras e um aluno foram esfaqueados manhã desta segunda-feira (27) dentro da Escola Estadual Thomazia Montoro, na Vila Sônia, em São Paulo, segundo o governo de São Paulo. Uma das professoras morreu. Elisabete Tenreiro, 71 anos, teve uma parada cardíaca e morreu no Hospital Universitário, da USP.
Inicialmente, a polícia havia informado que dois alunos tinham sido atingidos. Um deles, porém, foi socorrido em estado de choque, mas sem ferimentos. A outra criança ferida sofreu um corte no braço e foi levada a um hospital da região. Segundo a mãe de outro aluno, ele tentou salvar uma das professoras e ficou ferido superficialmente.
Uma das professoras foi levada para o Hospital das Clínicas e o outra para o Hospital Bandeirantes. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) que cumpre agenda fora do país, lamentou por meio das redes sociais "Não tenho palavras para expressar a minha tristeza", escreveu ele.
O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), também lamentou o ataque. "Uma tragédia que nos deixa sem palavras", disse.
Professores e alunos foram esfaqueados na Escola Estadual Thomazia Montoro, na Vila Sônia, em São Paulo, no dia 27 de março de 2023 — Foto: Cristina Mayumi/TV Globo
De acordo com a Polícia Militar, o agressor, um aluno do oitavo ano, foi contido pelos policiais e levado para o 34° DP, onde o caso está sendo registrado.
Vídeo mostra momento em que professora imobiliza agressor para salvar vítima de ataque em escola de SP
CENAS FORTES: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/video/o-que-se-sabe-sobre-ataque-com-faca-em-escola-estadual-de-sp-11483532.ghtml
Fonte: G1